Câncer de Bexiga – Remoção Parcial ou Total, é Possível Evitar?
- Dr. Bruno Benigno
- 18 de out. de 2024
- 5 min de leitura
Introdução
O câncer de bexiga é uma condição séria que afeta milhares de pessoas em todo o mundo, com implicações significativas na qualidade de vida dos pacientes. O tratamento desse câncer muitas vezes envolve decisões difíceis sobre a necessidade de preservar ou remover a bexiga, especialmente nos casos em que o tumor invade a musculatura. Neste artigo, vamos explorar as opções de tratamento para o câncer de bexiga, focando nas circunstâncias em que a remoção parcial ou total pode ser necessária e quando é possível preservar o órgão.
Entendendo o Câncer de Bexiga
O câncer de bexiga geralmente começa nas células que revestem o interior da bexiga. Enquanto alguns tipos de câncer permanecem superficiais, outros podem crescer e invadir a parede muscular da bexiga, uma condição mais grave chamada "câncer de bexiga invasivo muscular". A profundidade da invasão do tumor é um fator crítico na decisão sobre o tratamento.
O câncer de bexiga é classificado em estágios que vão de T1 a T4:
- **T1**: O câncer é superficial e está confinado à camada mais interna da bexiga.
- **T2**: O tumor invadiu a musculatura da bexiga.
- **T3**: O câncer se espalhou além do músculo da bexiga para a camada de gordura circundante.
- **T4**: O câncer se espalhou para órgãos próximos, como a próstata nos homens ou o útero nas mulheres.
Quando a Remoção Total da Bexiga é Necessária?
A remoção total da bexiga, conhecida como **cistectomia radical**, é geralmente recomendada quando o câncer invadiu a camada muscular (T2 ou superior). Esse procedimento envolve a remoção completa da bexiga e, em alguns casos, de órgãos próximos, dependendo da extensão da doença.
Após a remoção da bexiga, é necessário criar um novo meio para armazenar e expelir a urina:
- **Desvio urinário**: Criação de uma nova bexiga usando parte do intestino, permitindo que o paciente urine através de uma abertura no abdômen, conectada a uma bolsa externa.
- **Neobexiga**: Uma opção mais complexa em que uma nova bexiga é construída internamente a partir de uma porção do intestino.
Quando a Remoção Parcial da Bexiga é Possível?
Em alguns casos, a **cistectomia parcial** pode ser uma alternativa. Esse procedimento envolve a remoção apenas da parte afetada da bexiga, permitindo que o paciente mantenha parte da função natural do órgão. A remoção parcial é considerada quando:
- O tumor é pequeno (menor que 3 cm).
- O tumor está localizado em uma área da bexiga que pode ser removida sem comprometer funções críticas, como o trígono (uma área fixa da bexiga que conecta os ureteres e a uretra).
Esse tratamento é frequentemente combinado com **quimioterapia** ou **radioterapia** para garantir a eliminação de células cancerígenas remanescentes.
Preservação da Bexiga: Terapia Trimodal
Para alguns pacientes, a **terapia trimodal** oferece uma possibilidade de tratar o câncer de bexiga sem a necessidade de remover completamente o órgão. Essa abordagem combina três tratamentos:
1. **Ressecção transuretral (RTU)**: Um procedimento para remover o máximo possível do tumor.
2. **Quimioterapia**: Para atacar células cancerígenas remanescentes.
3. **Radioterapia**: Para reduzir ainda mais as chances de recorrência.
A terapia trimodal tem mostrado resultados promissores, especialmente para pacientes com câncer de bexiga invasivo muscular. Estudos indicam que até 80% dos pacientes que passaram por essa abordagem mantiveram a função da bexiga após quatro anos de acompanhamento.
Quem é Candidato à Preservação da Bexiga?
A preservação da bexiga não é adequada para todos os pacientes. Aqueles que têm maior probabilidade de se beneficiar das abordagens de preservação, como a terapia trimodal, geralmente apresentam:
- Um único tumor na bexiga.
- Um tumor com menos de 3 cm de tamanho.
- Um tumor que não se espalhou para o trígono ou para o ureter.
Por outro lado, pacientes com múltiplos tumores, tumores maiores ou que invadiram áreas críticas da bexiga podem não ser bons candidatos para as técnicas de preservação da bexiga. Nesses casos, a remoção total da bexiga continua sendo o tratamento padrão para prevenir a recorrência e a progressão do câncer.
O Papel da Imunoterapia
Os avanços recentes em **imunoterapia** abriram novas possibilidades no tratamento do câncer de bexiga. Embora a imunoterapia ainda não seja uma opção padrão nas estratégias de preservação da bexiga, ela mostrou potencial quando combinada com quimioterapia. Pesquisas indicam que a imunoterapia pode reduzir o risco de recorrência ao fortalecer a resposta imunológica do corpo para combater as células cancerígenas.
Estudos estão em andamento para determinar se a imunoterapia poderá ser incorporada ao plano de preservação da bexiga no futuro.
Pós-Tratamento e Monitoramento
Independentemente da abordagem de tratamento, os pacientes tratados para câncer de bexiga precisam de acompanhamento contínuo. As revisões regulares incluem:
- Exames de imagem, como ultrassonografias ou tomografias, a cada três a seis meses.
- Citologia urinária, para verificar a presença de células cancerígenas na urina.
- Cistoscopias rotineiras, onde uma pequena câmera é inserida na bexiga para verificar visualmente qualquer sinal de recorrência.
Os pacientes que passaram por tratamentos de preservação da bexiga, como a cistectomia parcial ou a terapia trimodal, precisam ser monitorados de perto para detectar qualquer sinal de recorrência. Os primeiros dois anos após o tratamento são especialmente críticos, exigindo consultas mais frequentes nesse período.
Conclusão
O tratamento do câncer de bexiga exige uma consideração cuidadosa de vários fatores, como o tamanho do tumor, sua localização e a profundidade de invasão. Embora a remoção total da bexiga continue sendo o padrão-ouro para o tratamento do câncer invasivo muscular, os avanços em técnicas de preservação oferecem esperança para muitos pacientes. Novos tratamentos, como a terapia trimodal e a imunoterapia, continuam a evoluir, proporcionando opções mais personalizadas e menos invasivas para tratar essa doença desafiadora.
No fim, a decisão sobre a remoção parcial, total ou a preservação da bexiga depende de uma seleção cuidadosa e de uma compreensão detalhada das circunstâncias exclusivas de cada paciente. O acompanhamento rigoroso é essencial para garantir a saúde a longo prazo e prevenir a recorrência da doença.
---
🔸 Contato: ☎ (11) 2769-3929 📱 (11) 99590-1506 | WhatsApp: 📲 [Link Direto](https://bit.ly/2OIObBx)
💻 [www.clinicauroonco.com.br](https://www.clinicauroonco.com.br) | [Agende sua consulta](http://bit.ly/2WMMiCI)
📍 R. Borges Lagoa 1070, Cj 52, Vila Mariana - São Paulo - SP
Somos especialistas em uro-oncologia e cirurgia robótica, atendendo pacientes de todo o Brasil. Entre em contato com nossa equipe pelo site, telefone ou WhatsApp para agendar uma consulta presencial ou por teleatendimento.
Considere se tornar um membro do nosso canal no YouTube. Temos uma live semanal para tirar dúvidas sobre câncer de próstata, além de conteúdos exclusivos para assinantes. [Clique aqui para se tornar um membro](https://bit.ly/YouTube_Membro_Exclusivo).
Dr. Bruno Benigno | Urologista | CRM SP 126265 | RQE 60022
Equipe da Clínica Uro Onco - São Paulo - SP
Comentários